A enorme lágrima,

mesmo suspensa,

sufoca a cidade.

Nuvens baixas posam

como prédios.

Tantos sonhos acumulados,

adiados,

que a cidade

desceu aos céus

Os prédios em nuvens

escondem frustrações

e a gota

suspensa

como uma onda

prestes a quebrar

(n)o silêncio precursor

do trovão

sufoca a cidade,

nascente da lágrima

ste a viva

Boa noite, queridos. Não costumo falar aqui, não me dou tão bem com as palavras. As seguintes músicas me ajudam quando estou num dia um pouco mais difícil de digerir, pensei em compartilhar aqui. Caso queiram compartilhar algumas, fiquem à vontade. Que 2021 seja algo a mais para nós. ❣️

Adoraria fazer menos poemas metalinguísticos, mas acho que não penso o bastante sobre as outras coisas. Duas experimentações mais ou menos recentes:

Desengano

Como dói a apatia

dos versos

Não dirigem a mim

o olhar ou a voz

e todo oral é um toque

invasivo.

A leitura me enfia

na pele lábil

do poema e as

palavras operam

                          em sinergia

contra o espinho.

Melhor, expulsam

o filho

do ventre insidioso.

Despenco da girafa (It’s for the best)

.

Ponto crítico da escrita

a língua roçando

no encontro

que me desmonta,

êxtase que se confunde

com apreensão,

pois ela costuma

passar do ponto

e rápido

a explosão

vira dor.

Quanto de força usar e

como puxar para cima

a cabeça encontrada

distante da base

na ponta da língua

Turva língua

só aceita interrupções daquelas

raízes não encontradas

porquanto não

descritas

ste a viva

Centenário da Lispector, a que me convida, nem sempre tão suavemente quanto nuvens e cavalos, à liberdade

Mormaço I

Tem um ardor na minha pele

como se de minhas costas

saíssem os raios que governam o dia.

De experiência, afirmo:

esse fervo pairante só passa

quando chego à última letra

do poema.

Depois?

Lápis à mesa,

aquela sonolência

do pós-praia, alimentada

pelas paredes frias

do meu corpo-casa,

que me convida

a uma curta anestesia.

Ste, a viva

Catarse

Alma

Prendi a respiração

Ao longo de um domingo

Na esperança de descongelar o tempo

E destrancar a porta do estábulo

Para libertar o cavalo.

Corpo
Correr o mais rápido que puder,

No domingo,

Na esperança de retardar

O tempo e, com ele,

A rotina, o cavalo, a fome,

Até que eu aprenda a ser,

Substancialmente, meu alimento.

steaviva

 

antilírico

ninguém me conhece como os versos que escrevo,

cuja consistência reside no silêncio,

sem derivações impróprias ou subjetivação,

despidos de entrelinhas,

com memória proporcional à inutilidade dos eventos;

versos que exploram laços nascidos de comoção frente ao ilimitado óbvio

e seus diferentes níveis.

hoje optei pelo raso.

-Ste a viva