Pagu

Batidas

De minha cabeça na janela,

O frio do vidro

E uma característica irradiada pelo sol

Enquanto espio o caminho curvilíneo do ônibus.

Desgosto

Por estar aqui dentro em mais uma tarde bonita

Em que as árvores correm para longe do meu nefasto destino

E estou certa de que a lua será mensageira

De uma emoção já conhecida.

Coragem

Dela de permanecer de pé

Dentro do ônibus turbulento

E pegar o dispositivo

Pra quebrar a janela do meu assento.

Devolvo ao sol a temperança.

A ousadia que dela emana abafa o meu medo dos estilhaços.

-Iris rosa campos da costa

 

 

anti-lírico

ninguém me conhece como os versos que escrevo,

cuja consistência reside no silêncio,

sem derivações impróprias ou subjetivação,

despidos de entrelinhas,

com memória proporcional à inutilidade dos eventos;

versos que exploram laços nascidos de comoção frente ao ilimitado óbvio

e seus diferentes níveis.

hoje optei pelo raso.

-Stephanny pinto de oliveira lima

Eterno Retorno

Chão e paredes cobertos com cola adesiva

A sensação de tirar meus pés sucessivamente da cola é prazerosa

Mas já estive aqui

E essa cola, de mim, terá apenas o pé para puxar.

A sala treme.

Levanto sem procurar saída.

Um giro dela de 180º e grudo por completo no chão.

A indiferente decisão de levantar rápido ou devagar:

ou sofro enquanto levanto ou sofro depois do tranco.

Quantos fios de cabelo você me vai arrancar?

O jeito é raspar a cabeça antes de beijá-la.

  • Iris rosa campos da costa